“Bomba do pulverizador falhou”: o que pode ser e como resolver sem perder o dia de aplicação

Se você chegou até aqui, provavelmente está com aquela cena clássica: tanque cheio, janela de clima boa… e o pulverizador começa a falhar, perde pressão, oscila, ou simplesmente para de puxar. Como mecânico que vive esse tipo de chamado no campo, vou te passar um guia rápido (mas bem completo) de diagnóstico, com testes práticos, erros comuns, peças que mais dão problema e tendências que estão mudando o jogo na pulverização.

A ideia é simples: você entender o que dá pra resolver na hora, o que é sintoma de peça pedindo troca, e como evitar “trocar no chute” (que é onde mais se perde dinheiro).

Antes de tudo: qual é o “tipo” de falha da sua bomba?

A bomba raramente “morre do nada”. Normalmente ela avisa. Identifique qual padrão parece o seu:

  1. Não suga nada / perdeu a escorva (não puxa calda do tanque)
  2. Pressão baixa (não atinge o que sempre atingiu)
  3. Pressão oscilando (sobe e desce, manômetro tremendo)
  4. Vazamento (água/calda pingando na bomba ou no eixo)
  5. Barulho anormal / aquecimento (ronco, chiado, vibração)
  6. Quebra repetida de componente (selo/retentor, diafragma, rolamento)

Cada padrão aponta para causas diferentes. Vamos por partes.

Checklist rápido (5 minutos) que resolve muita coisa no campo

1) Confirme o básico do “caminho” da calda

Parece óbvio, mas é onde mais pega:

  • Registro do tanque está aberto?
  • Filtro de sucção (ou peneira do tanque) está limpo?
  • Mangueira de sucção está ressecada, rachada, “chupando ar”?
  • Abraçadeiras bem apertadas (sem entrada de ar)?
  • Tampa do tanque / respiro ok? Tanque sem respiro cria vácuo e “mata” a sucção.

✅ Exemplo prático (campo): pulverizador “não suga” depois de lavar. O operador jurava que era bomba. Era abraçadeira frouxa na sucção: entrava ar, não vazava calda, mas a bomba não escorvava. Apertou, voltou na hora.

Testes práticos de diagnóstico (sem ferramenta chique)

Teste A — “Entrada de ar” na sucção (o vilão nº 1 da oscilação)

Sintoma típico: pressão oscila, espuma na linha, manômetro tremendo.

Como testar:

  1. Com o sistema ligado, observe uma seção de mangueira (se for possível ver).
  2. Procure microbolhas indo para a bomba.
  3. Passe água e detergente nas conexões (se estiver puxando ar, pode “puxar” a espuma).

O que geralmente resolve:

  • trocar mangueira de sucção (se estiver mole, trincada, deformada)
  • trocar/ajustar abraçadeiras
  • revisar o-ring de conexões rápidas, tampas e filtros

Opinião de oficina: quando a pulverização “vira sanfona”, eu começo pela sucção antes de condenar bomba. É onde mais aparece falha intermitente.

Teste B — “Vazão real” vs. “pressão no manômetro”

Às vezes o manômetro mente, e a bomba vira suspeita sem ser.

Como testar (simples):

  • Coloque o retorno/saída em um recipiente graduado por 30 segundos e multiplique por 2 para dar L/min.
  • Compare com o esperado (manual/experiência de trabalho da máquina).

Se a vazão caiu muito, pode ser:

  • bomba desgastada internamente
  • válvulas (retenções) travadas/sujas (diafragma/pistão)
  • membrana/diafragma rasgado (em bombas de diafragma)
  • filtro de sucção parcialmente entupido

✅ Exemplo prático: “não pega 3 bar de jeito nenhum”. Vazão também caiu. Ao abrir: válvulas com grãos/areia e uma vedação marcada. Limpou, trocou kit de válvulas/vedações, voltou ao normal.

Teste C — “Bypass/regulador de pressão” (o suspeito que parece bomba ruim)

Sintoma típico: pressão não sobe, mas a bomba não faz barulho estranho.

Como testar:

  • Verifique se o regulador de pressão não está travado aberto (mandando tudo pro retorno).
  • Faça ajuste e veja se a pressão reage.
  • Se houver válvula de alívio, veja se não está “aliviando” cedo demais.

Prova social do dia a dia: muita “bomba condenada” era, na verdade, regulador travado por sujeira/cristalização de produto.

Causas mais comuns por tipo de bomba

1) Bombas de diafragma (muito usadas em pulverização)

Falhas clássicas:

  • diafragma/membrana rasgada → calda no óleo (ou mistura), queda de desempenho
  • válvulas de retenção sujas/travadas → pulsação, baixa vazão
  • óleo errado/velho → aquece, desgasta e reduz vida útil
  • câmara de ar/pulsador sem carga → manômetro treme, pulverização irregular

Sinais que “entregam” diafragma:

  • óleo com aspecto leitoso (mistura com calda)
  • vazamento no respiro
  • perda gradual de pressão + pulsação

Peças que mais saem:

  • kit diafragma
  • kit válvulas (retenção)
  • kit de vedação (o-rings, juntas)
  • manômetro e regulador (por contaminação)

2) Bombas centrífugas (comuns em alguns sistemas)

Falhas clássicas:

  • cavitação (entrada de ar / restrição na sucção) → barulho de “pedrinhas”, desgaste do rotor
  • rotor/gaxeta desgastados
  • vedação do eixo vazando

Sinais:

  • ruído forte e queda de rendimento após operar com sucção ruim
  • vazamento no eixo

3) Bombas de pistão

Falhas clássicas:

  • desgaste de anéis/vedações
  • válvulas com sujeira
  • lubrificação deficiente

Análises e “diagnóstico pela causa raiz” (pra não trocar peça duas vezes)

Quando a bomba falha logo depois de trocar produto (ou aumentar concentração)

Alguns defensivos/adjuvantes são mais agressivos a certos elastômeros.

O que acontece na prática:

  • vedação incha, perde elasticidade, começa vazamento
  • membrana resseca/racha mais cedo
  • o-ring “corta”

O que especialistas recomendam (e faz sentido no campo):

  • usar vedação compatível com a calda (ex.: certos casos pedem Viton/FKM, outros EPDM, conforme o químico)
  • caprichar na lavagem e neutralização ao final do dia
  • evitar deixar calda “descansando” no sistema

✅ Exemplo realista: o cara troca membrana, dura pouco. Descobre que estava deixando calda no circuito de um dia pro outro + lavagem fraca. Ajustou procedimento e a próxima membrana “viveu” muito mais.

Guia de “o que trocar” sem gastar à toa

Se você quer ser rápido e assertivo, aqui vai uma lógica simples:

Se não suga e há sinais de ar

  • ✅ Prioridade: mangueira de sucção, abraçadeiras, o-rings, filtro de sucção, tampa/respiro

Se pressão não sobe e vazão está baixa

  • ✅ Prioridade: válvulas de retenção, diafragma/membrana, vedação interna

Se pressão oscila mas vazão até parece ok

  • ✅ Prioridade: entrada de ar, pulsador/câmara de ar, regulador, válvulas sujas

Se vaza no eixo

  • ✅ Prioridade: selo mecânico/retentor + checar eixo e alojamento (às vezes o eixo já marcou)

Se óleo contaminou (bomba de diafragma)

  • ✅ Prioridade: diafragmas + troca de óleo + revisão de juntas/vedações

Manutenção preventiva que evita 80% das panes em época crítica

  1. Filtro de sucção limpo (e do tamanho correto)
  2. Mangueira de sucção sempre “nova de verdade”: se está mole, com microtrinca, já era
  3. Lavagem caprichada: circular água limpa + produto de limpeza adequado, não só “passar água”
  4. Óleo no padrão (diafragma): nível e periodicidade em dia
  5. Checagem de pulsação: manômetro tremendo é aviso
  6. Revisão pré-safra: kit de válvulas/vedações preventivo é barato perto do prejuízo de parar aplicação

Prova social (do que vejo direto): quem faz revisão pré-safra troca “barato e planejado”. Quem não faz, troca “caro e no desespero”, e normalmente ainda perde janela de aplicação.

Tendências na pulverização que impactam bomba e peças (o que está mudando)

  1. Taxa variável e controle por seção/bico: exige pressão mais estável e resposta rápida do sistema. Bombas e reguladores sofrem mais se estiverem “no limite”.
  2. Monitoramento e telemetria: mais máquinas vêm com leitura de pressão/vazão e alarmes — o que reduz diagnóstico no chute.
  3. Materiais melhores: cresce o uso de vedações mais resistentes e componentes com melhor tolerância química/abrasiva.
  4. Manutenção preditiva “raiz”: produtores mais tecnificados fazem controle por horas de trabalho + histórico de falhas (tipo “trocou diafragma a cada X horas, antes de romper”).
  5. Calda mais “complexa”: mistura de produtos + adjuvantes aumenta risco de incompatibilidade e cristalização — lavagem e vedação correta viram prioridade.

Fechando como mecânico: o jeito mais rápido de voltar a aplicar

  • Pressão oscila? Caça ar na sucção e válvula suja.
  • Pressão não sobe? Desconfie de regulador/bypass e depois vazão/vedação interna.
  • Vazamento e óleo contaminado? Provável diafragma + vedação.
  • Barulho e aquecimento? Atenção à cavitação e restrição na sucção (isso destrói bomba).

E se a sua bomba já está dando sinais repetidos, o melhor custo-benefício costuma ser trocar o kit certo (diafragma/vedações/válvulas conforme o modelo) em vez de trocar peça picada e voltar a abrir de novo.

Quer facilitar o diagnóstico e comprar a peça certa?

Aqui na Só Pesados, a ideia é você não “adivinhar”. Quando for procurar peças, tenha em mãos:

  • modelo da bomba (placa/etiqueta)
  • tipo do pulverizador e ano
  • sintomas (dos itens acima) + foto/vídeo do vazamento/manômetro

Isso acelera muito para indicar o kit correto (vedações, válvulas, diafragmas, retentores, regulador, manômetro, filtros) e você voltar pro campo com segurança.

Se você quiser, me diga qual o modelo da bomba e qual sintoma principal (não suga / pressão baixa / oscilando / vazando / barulho). Eu monto um diagnóstico provável e uma lista objetiva de peças por ordem de chance.